Rapport consigo mesmo

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Antonio Azevedo

Todos nos perguntamos como facilitar os processos de transformação interna. No início parece fácil tomar decisões de vida e executá-las. Mas, volta e meia, nos percebemos nos “auto-sabotando”. E tudo isso porque não escutamos o suficiente a nós mesmos. E porque isso não acontece? Porque não desenvolvemos o suficiente a capacidade de nos sintonizar com os nossos lados internos, nos sensibilizar para escutar o que diz o nosso coração. Em suma, não conseguimos suficiente Rapport.

Rapport é uma palavra francesa que significa harmonia, confiança, segurança e compreensão (com os outros ou consigo si mesmo). Ter rapport com os outros significa ter relacionamentos de qualidade. Ter rapport consigo mesmo significa ter um diálogo interno produtivo, não ignorar os reclames da própria alma.

Tal como uma cadeira, para que possamos ter “estabilidade” em um processo de mudança interna, o ideal é que haja quatro sustentáculos, quatro pernas que apoiem a mudança. E todos eles são uma forma de Rapport. Estes são:

. rapport com o aspecto físico;
. rapport com as diversas partes da mente;
. rapport entre o corpo e a mente;
. rapport com a parte espiritual de nosso ser.

O Rapport consigo mesmo tem três aspectos:
Acuidade perceptiva (sensorial);

Auto-observação é a chave para o auto-aprendizado e para a autoconsciência. E as representações internas, em nossa mente, são a chave para o controle dos estados mentais, físicos e emocionais. A auto-observação não significa distanciamento de nós mesmos, de nossas próprias emoções. Significa observar o seu começo, sua origem, sua expansão e sua diminuição, entendendo que são partes de nós, mas não são o todo de nós .

Flexibilidade nos pensamentos, sentimentos e ações (adaptabilidade); Flexibilidade é entender que o objetivo final não é o meio. Podemos encontrar várias formas alternativas de agir. Quem tem apenas uma forma de comportamento perante uma determinada situação da vida está agindo como um robô de si mesmo.
Objetivos bem elaborados;

Apenas “ter esperança” no futuro (ficar esperando) não é suficiente. Imaginar um futuro melhor (“i” de interno + “maginar, magicar” = magia interna) é o primeiro passo. Mas deve ser seguido de ação positiva no mundo material, para consolidar os efeitos da magia interna (imaginação).

Você cria o seu futuro com o que faz agora. Pense sobre o que deseja ser – seus objetivos – e siga o modelo seguinte para a sua concretização:

1. Expresse seu objetivo em uma linguagem positiva.
2. Torne o seu objetivo tão específico quanto possível
3. Situe-os em sua área de influência.
4. Defina os recursos que possui e aqueles que pode adquirir.
5. Identifique as evidências de atingimento (Critérios) de seus objetivos (isto é, como saberá que os alcançou).

Seja um objetivo físico, profissional, social, emocional ou espiritual, experimente um formato de linguagem que afirme o que você deseja alcançar, não algo que deseje suprimir. O Universo não trabalha com base em ausências (“a Natureza não suporta o vácuo”) e busca preencher com algo efetivo.
O Que, Porque, Quem, Como, Para que, Qual, Quando, Onde;

Devemos usar com muito cuidado estas palavras pois elas guardam muito poder na linguagem. Se focarmos o nosso “O Quê” nos problemas e não nas soluções, teremos dificuldades. E também não é tão útil perguntar o “porquê” de uma situação indesejável, bem como não resolve muito perguntar o “de quem” é a culpa, seja nossa ou de outros. Isso só dirige a nossa criatividade para a manutenção da situação inadequada, contribuindo também para gerar remorsos, ressentimentos e mágoas. E ficar descrevendo para os outros o “como” o problema nos afeta só contribui para consolidar o incômodo que ele nos causa.

Ao invés, prefira o “Para quê” e “Qual”, isto é, em que direção desejo ir, qual é o meu objetivo e estou me dirigindo para “o quê” Estabeleça sub-objetivos (metas) e defina prazos. Teste a congruência de seus objetivos (e de cada uma das metas) com seus valores e crenças pessoais. Pense nas consequências mais amplas da realização disso em sua vida. Como as outras pessoas e tarefas de sua vida serão afetadas? e, por final, exercite “Viagens ao Futuro” subjetivas e Integre a sua Identidade em seus objetivos.

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