Para quem contar e com quem contar para que sua ideia dê certo

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Gisela Kassoy

Photl.com

Tenho uma grande amiga chamada Sumara Ancona Lopes, que trabalha no SENAI. Ao que parece, ela costuma repassar meus artigos internamente. Eis que o João Ulysses Laudissi, colega dela, leu um artigo meu sobre como vender ideias e pediu para que eu explorasse mais um dos itens, que é sobre a contribuição de outros para o sucesso de nossos projetos.

Bem lembrado, pois o que mais necessitamos hoje em dia são pessoas dispostas a ajudar. Não é à toa que o termo network está tão em voga.

E por quê? Zigmunt Bauman, sociólogo especialista na análise do cotidiano, explica que uma das características da nossa era é não podermos mais contar com soluções coletivas para nossos problemas. No século XX, fazer revoluções ou emigrar eram alternativas viáveis diante de problemas políticos ou econômicos. Hoje, a tendência é buscar soluções individuais. Quando diminui a oferta de emprego, por exemplo, a saída não é mudar de país, mas sim tornar-se indispensável na empresa ou para os clientes. Como fazê-lo, depende de cada indivíduo. Mas o sucesso de cada um depende do apoio de muitos. Sobretudo no caso de uma ideia nova, precisamos de pessoas que as avaliem, que as aprimorem e de gente que conhece alguém que conhece alguém….

Infelizmente, não dá para esperar que toda a humanidade seja assim. Portanto, o primeiro passo é escolher pessoas certas, veja a seguir:

Drible o pessimismo alheio. Lembre-se que o negativismo é, sobretudo, um estado de espírito, nem sempre está relacionado à qualidade de sua ideia, mas sim à forma como seu interlocutor vê o mundo. Ignore zombarias, mas ouça atentamente àqueles que se dispuserem a explicar por que sua ideia não vai dar certo. O que você ganha com isso? Terá um panorama dos riscos potenciais, e poderá se preparar para administrá-los. Só não permita que a lista dos riscos faça com que você desista da ideia.

Procure seus cúmplices. Falo aqui sobre quem torce e contribui para seu sucesso. O cúmplice nem precisa ser um amigo íntimo, mas é alguém que vibra com projetos novos, tem facilidade em visualizar o futuro. Já que ele vibra, não se intimide: descreva sua ideia e absorva suas reações. Se ele for um grande entusiasta, lembre-se que o otimismo também é uma característica pessoal, mas aproveite seus depoimentos para ver como pode valorizar seu projeto. Se ele visualizar aspectos positivos e negativos, ouça atentamente. Se ele quiser mudar tudo, não se irrite. Ouça sempre… de qualquer forma, a decisão final é sempre sua.

Há também os cúmplices networkers. Mais do que avaliar sua ideia, eles darão indicações de locais, estudos, pessoas. Vá atrás. Lembre-se da teoria tão grata a Duncan Watts, especialista em ciência das redes: para você encontrar a pessoa certa, são necessários seis contatos. Segundo Watts, estatisticamente, é assim que os relacionamentos funcionam. Autores mais recentes consideram que necessitamos ainda menos do que seis tentativas. De qualquer forma, não desista antes da sexta apresentação.

Seja cauteloso com os piratas, pessoas que poderão roubar suas ideias. Analise o custo benefício de não ter um feedback e se a pessoa teria verdadeiramente algum benefício em roubar sua ideia

Deixe portas abertas. Se sua ideia foi recusada, veja se seu interlocutor pode lhe indicar outra pessoa, desperte nele o interesse em dar continuidade à rede.

Lembre-se que os percursos não são lineares, Aliás, o artigo que gerou este aqui já é um exemplo: Gisela o enviou para Sumara, que o mandou para João Ulisses, que deu uma ideia para Gisela. Uma grande amiga e alguém que nem me conhece pessoalmente, ambos foram meus cúmplices, contribuindo para meu projeto de dar dicas sobre inovação para as pessoas.

Finalmente, esteja você mesmo imbuído dessa curiosidade pelo novo, da vontade de fazer o mundo prosperar. Seja cúmplice de seus cúmplices e estimule este espírito sempre que puder.

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