O metamodelo de linguagem: uma introdução

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Rodrigo Zambom

O metamodelo foi criado pela PNL a partir de diversos princípios da gramática transformacional e a partir de observações e modelagem de pessoas que desempenhavam com excelência a prática clínica. Bandler e Grinder observaram, dentre outros, Frits Pearls, Milton Erickson e Virgínia Satir. A partir dessas informações o metamodelo pode ser codificado em padrões eficazes de comunicação para que as falhas fossem detectadas. Com essa técnica podemos tornar nossa comunicação mais incisiva e com isso chegar mais facilmente ao nosso objetivo.

Quando nascemos e choramos o que nossas mães fazem é interpretar nosso choro. Ele pode ser de fome, de alguma dor ou mesmo para pedir colo. A nossa existência acontece quando podemos nos expressar com palavras. Para nos constituirmos como seres, precisamos do laço, e o nosso vínculo social acontece através da fala. É através da comunicação que estabelecemos a relação com o outro, e nesse contexto aparecem nossas maiores alegrias ou nossas piores tristezas, como descrito por Freud em seu texto Mal-Estar na Civilização (Vol XXI: 1927 – 1931):

“O sofrimento nos ameaça a partir de três direções: de nosso próprio corpo, condenado à decadência e à dissolução, e que nem mesmo pode dispensar o sofrimento e a ansiedade como sinais de advertência; do mundo externo, que pode voltar-se contra nós com forças de destruição esmagadoras e impiedosas; e, finalmente, de nossos relacionamentos com os outros homens. O sofrimento que provém dessa última fonte talvez nos seja mais penoso do que qualquer outro. Tendemos a encará-lo como uma espécie de acréscimo gratuito, embora ele não possa ser menos fatidicamente inevitável do que o sofrimento oriundo de outras fontes.”

A forma de relacionamento com o outro considera vários fatores e variados contextos. Depende de nossa cultura e de como fomos criados. Cada pessoa tem um padrão próprio de comunicação e interpretação da realidade. Criamos conflitos e diferenças e nos aproximamos por semelhança. Sabendo o padrão do outro se comunicar essa aproximação se torna mais fácil. E como apressar essa descoberta? O que devemos perceber na fala do outro para obter a informação que eu desejo?

Constituído de 13 padrões o metamodelo visa minimizar esse tempo, disponibilizando a cada um de nós uma forma eficaz para identificar se está ocorrendo omissões, distorções ou generalizações na fala do outro. Cada padrão disponibiliza uma pergunta, um desafio para podermos chegar ao cerne do discurso alheio. Procuramos à interpretação, a representação da realidade do outro e principalmente a informação oculta que precisamos.

O metamodelo é divido em:

Generalização: Tomamos uma experiência de referência e generalizamos para todas as outras. Esta falha pode levar o ser humano a criar regras para si e para os outros, podendo muitas vezes criar a crença de que todas as experiências posteriores podem ser boas ou ruins. A generalização acontece quando uma experiência se torna a base para todas as outras impossibilitando a pessoa de encontrar exceções e novas descobertas para si e para o outro. Veja um exemplo muito utilizado:

Quantificador Universal

Ex: Ninguém gosta de mim.
Pergunta: Ninguém? Será que existe alguém a sua volta que goste de você? Nem a sua mãe?

Neste exemplo deve-se procurar a exceção para o evento.

Outros exemplos de quantificadores universais são: Nunca, jamais, sempre, todos, tudo.

Outros padrões de generalizações:

– Operadores Modais
– Pressuposições

Omissão: São elementos omitidos na fala do outro e também na nossa. Muitas vezes um elemento que pode enriquecer um relacionamento e deixado de lado pela estrutura superficial verbal. Prestamos atenção a certos detalhes de nossa experiência e deixamos outros de lado. Este padrão se reduz a partir de nossos filtros mentais, reduz as experiências a nossa capacidade de assimilação. Veja os exemplos dos padrões de omissão:

Omissão Simples

Ex: Eu estou confuso.

Pergunta: Confuso em relação a que especificamente?

Neste exemplo, com essa pergunta, vamos recuperar o elemento que falta no estado-problema.

Outros padrões de omissão:

– Omissão comparativa

– Índice de Referencial Omisso

– Índice de Referencial Inespecífico

– Verbos Inespecíficos

– Nominalizações

Distorção: Habilidade de fazer mudanças em uma experiência. Quando utilizamos esse processo estamos julgando comportamento e pressupondo eventos que dêem o significado pretendido por nós, não pelo nosso interlocutor. Com as distorções afirmamos conhecer a experiência interna do outro e dar o mesmo significado a duas experiências diferentes. Veja os exemplos dos padrões de distorção:

Equivalência Complexa

Ex: Ele vai mal na escola… ele tem um problema de aprendizagem.

Pergunta: Se você vai mal na escola isso significa que você tem um problema de aprendizagem?

Com este exemplo, vamos investigar a relação entre as duas afirmações.

Outros padrões de distorção:

– Causa e Efeito

– Leitura Mental

– Execução Perdida

Pretendemos com esse artigo, introduzir os padrões do metamodelo ao leitor. Cada padrão tem sua importância e em muitos casos eles podem ser combinados para uma melhor elucidação da fala do outro. Podemos nos tornar excelentes comunicadores com a assimilação do metamodelo. Somos capazes de identificar mais facilmente o mapa do outro e chegar mais rapidamente ao foco do assunto.

Para saber mais consulte os livros:

A Estratégia da Genialidade – Robert B. Dilts – Summus Editorial

A Estrutura da Magia – John Grinder & Richard Bandler – LTC

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