Fale Conosco | Fóruns | Ebooks | Links | Anuncie
Portal CMC - Comunicação e Comportamento ©2006 | Proibida reprodução total ou parcial
Anuncie no Portal CMC
Newsletter - Receba as novidades por email

Entrevista › Criatividade

Atualizado em 22 de janeiro de 2008, às 10h27

Entrevista de Gisela Kassoy concedida à Diana
Bodin (Obvio Comunicação) para o informativo 2U,
da Unisys Brasil.

Nenhuma idéia é completamente descartável, assim como também nenhuma idéia é perfeita. Entre muitas outras questões interessantes, nessa entrevista para a 2U a consultora Gisela Kassoy, especialista em Criatividade e Inovação, fala da importância de sabermos avaliar a origem das resistências ao julgarmos uma idéia ou sermos julgados. O importante é que, mesmo com pontos de vista diferentes, possamos contribuir para o trabalho, até mesmo buscando aperfeiçoar as idéias dos outros, descartando a crítica pela crítica e assumindo uma postura mais otimista.

2U - Você afirma em um artigo que já houve um tempo em que criticar gerava status. Fale um pouco sobre isso e explique como funciona hoje.

Gisela Kassoy - A crítica que gerava status era a crítica da cautela, que só apontava os riscos e os aspectos negativos dos projetos. Ela era valorizada, pois ajudava a manutenção da situação vigente. Além disso, quem vetava dava a impressão de saber mais, algo como “eu sei onde essa idéia vai chegar”. Há momentos na vida das empresas nos quais é preciso ser pioneiro, arriscar, ser movido por sonhos. Há outros momentos nos quais a manutenção da situação torna-se mais interessante. Quando as realidades externas mudam muito e a concorrência é uma ameaça constante, como ocorre hoje na maioria dos setores, precisamos de mais pioneirismo, mais arrojo, e para isso é preciso ser otimista.

 

Como o colaborador pode expressar um ponto de vista contrário a uma idéia sem parecer pessimista?

Ótima pergunta. Há duas coisas que tanto as pessoas que querem vender suas idéias como as pessoas que vão julgá-las precisam entender: não há idéia completamente descartável, assim como não há idéia 100% perfeita, ou que não gere algum problema em algum momento de sua implementação. O que está em jogo é o custo-benefício. Se um colaborador for a favor da proposta, mas vê nela alguns riscos e está disposto a avaliá-los e saná-los, não tem como parecer pessimista. Se for contra, mas tiver outras alternativas, também demonstra que está contribuindo. Existem resistências objetivas, mais próximas da realidade, e resistências subjetivas, oriundas do medo da mudança, preguiça etc. Aconselho as pessoas a praticarem um diálogo interno para checarem a origem de suas resistências antes de vetar uma idéia, e aconselho a quem quer vender suas idéias a procurar entender o tipo de resistência que a pessoa está oferecendo.

 

O otimismo e a criatividade andam juntos?

Juntíssimos. Por definição, tudo que é criativo é novo, ou pelo menos novo num determinado contexto. O novo sempre envolve risco e, para administrar o risco, é preciso uma certa dose de otimismo.

 

A criatividade não tem limites. O otimismo, por sua vez, quando muito “persistente”, digamos, não pode expressar uma certa alienação?

A criatividade não tem limites, mas a inovação sim. A inovação, segundo definição que gosto muito, de Ernest Gundling, é “uma nova idéia implementada com sucesso e que produz resultados econômicos”. Ela tem, portanto, muitos limites, como os custos de implantação, a capacidade da empresa ou do mercado de absorver a inovação. O otimista persistente, que acredita no seu sonho e na sua capacidade de gerar soluções, mas que também vê e acredita na realidade e nos riscos, não pode ser chamado de alienado. Já o otimista inconsistente pode estar se alienando de fato.

 

Como ser otimista de uma maneira consistente?

É importante conceituarmos otimismo, ou pelo menos diferenciá-lo de “Complexo de Poliana”. O otimista que contribui para uma empresa ou projeto não perde o vínculo com a realidade nem com as ameaças. Ele apenas acredita que as dificuldades serão sanadas e se esforça para buscar soluções. Conhece aquela historinha dos sapatos? Um fabricante de sapatos manda dois assistentes para um país distante para que eles estudem o potencial do mercado local. Um deles diz “Sem chance. Aqui ninguém usa sapatos”, o outro diz “Grandes chances. Aqui ninguém usa sapatos”. Pois bem, se este segundo assistente achar que basta chegar lá e com alguns pares de sapatos que ele vai fazer fortunas, ele não está sendo otimista, está sendo delirante. O otimista é aquele que percebe o grande potencial de mercado, mas sabe que este mercado vai ter que ser educado a usar sapatos, entender o produto, sentir suas vantagens etc.

 

Como a criatividade de colaboradores de áreas distantes de um departamento de criação em si pode influenciar no trabalho? E nos resultados do negócio?

As empresas precisam de vários tipos de inovações. Há inovações incrementais, que geram melhorias e que são excelentes para os programas de qualidade e de redução de custos, quando a empresa necessita de muitas pequenas idéias. Ajudam a vender produtos ou idéias, negociar, delegar, ou seja, tudo o que faz parte de nossas habilidades interpessoais, de nosso dia-a-dia. Já quando a empresa precisa de uma grande idéia, estamos falando das inovações de impacto, que quebram paradigmas, que realmente trazem o novo. Estas estão voltadas para o desenvolvimento de novos produtos ou para as estratégias de mercado. Toda inovação de impacto vai demandar muito ajuste, ou seja, muita inovação incremental. Falar em tipos de inovações nos ajuda a perceber que não é apenas o departamento de criação que precisa de criatividade, mas toda a empresa. O que muda é a necessidade do momento, da área e do setor.

 

Qual a melhor forma de as empresas estimularem os diferentes tipos de inovação?

A criatividade inovadora voltada para coisas é usualmente solicitada à cúpula, gerências, técnicos sênior e à área de T&D. É uma criatividade que pode ser estimulada. Quando o objetivo é redução de despesas ou melhoria no atendimento é um desperdício fixar-se na originalidade. A empresa se beneficiará com a eliminação de um prego ou uma mudança num texto. Neste caso, o trabalho em equipe se torna extremamente benéfico, pois o que se quer é uma maior amplitude de percepção e de idéias. Já as inovações incrementais voltadas para pessoas demandam determinação clara dos parâmetros para a criatividade, metas e motivação constante, como se faz com as equipes de vendas, e as inovações de impacto voltadas para o mercado se beneficiam, sobretudo, com o que Domenico de Masi chama de Ócio Criativo: estar longe da empresa, vendo exemplos de outras áreas e o comportamento do mercado.

Viu como é diferente? Agora imagine, por exemplo, o percurso de várias empresas de informática: elas tiveram início com alguma grande idéia e os gênios da criação eram supermimados. A fase posterior foi de inovação incremental, melhorias, adaptações ao mercado e assim por diante. Nessa fase, fizeram-se necessárias competências ligadas ao trabalho em equipe, negociação. Haja jogo de cintura!

 

E quanto ao pessimismo (ou baixo-astral, falta de motivação) dos funcionários, como as empresas devem lidar com isso, sem terrorismo e sem demagogia? E qual deve ser a postura do colaborador nessa situação?

Temos que entender que o otimismo está muito ligado à autoconfiança. Vivendo sob a ameaça de perder o emprego ou sob alguma outra forma de terrorismo, o profissional tende a acreditar menos em sua capacidade, o que o levará a usar o pessimismo para evitar as mudanças. A demagogia também tem o mesmo efeito, pois ela é sentida ou descoberta facilmente. Falta às empresas e aos próprios funcionários perceberem o óbvio: o grosso do downsizing já passou. Quem está empregado hoje em dia é porque é bom, sabe se adequar a diferentes momentos e porque está trabalhando numa boa empresa, que já se redefiniu estrategicamente. Não seria ótimo se o relacionamento entre a empresa e os colaboradores partisse desta premissa?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CURSOS ON LINE
 Liderança
  com Maria Rita Gramigna
 Gestão de Equipes
  com Maria Elisa Galvão
 Apresentações em Público
  com Diana Amaral
 Gestão do Tempo
  com Miguel Justiniano