Capacidade e competência

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Paulo Madjarof Filho

Imagine-se conversando com uma lagarta que empreende esforços na ânsia de alcançar o topo de uma arvore pelo cumprimento de “sua missão existencial”. Se perguntada sobre a razão de sua obstinação em alcançar um determinado galho da arvore, o que será que responderia a lagarta?

Será que se lhe disséssemos que todo o seu empreendimento valerá a pena porque deixará de ser um ser rastejante para se tornar uma borboleta e que fará esse mesmo percurso ao topo da arvore num tempo menor, ela acreditaria?

Será que acreditaria que o seu corpo pesado e lento será substituído por um corpo esguio de roupagem leve e colorida? Será a lagarta consciente de sua missão e de seu futuro?

Utilizo a história de vida de uma lagarta para propor uma reflexão sobre àquilo que ainda não sabemos em relação as nossas competências. Penso que a competência se diferencia da capacidade por entender que a capacidade é a semente – inerente a todos os seres humanos, e a competência é a germinação da semente, o desvelamento da capacidade – alcançada apenas por alguns indivíduos.

Assim podemos buscar em nossa história de vida exemplos e situações em que as coisas não faziam muito sentido, não pareciam se encaixar e davam a ideia de um momento “sem saída”. Comumente nos damos conta, depois de certo tempo, que como uma peça avulsa de um quebra-cabeça que aparentemente não se encaixa, tem de fato o seu espaço e compõe um conjunto, dando sentido ao todo.

Portanto, converse com suas partes lagarta – que ainda não descobriram sua porção borboleta, e diga que o empreendimento de agora, por vezes angustiante e sem sentido, faz parte de sua auto-descoberta e consequente auto-conhecimento, de uma missão maior que ainda se mostra na forma rastejante e penosa. Ainda é necessário vivenciá-la para que em breve se transforme, para que veja o mundo sob uma perspectiva absolutamente diferente, para que sobrevoe a copa da árvore que hoje escala, visitando suas flores, replicando a vida.

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