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Artigos › Auto Desenvolvimento

Atualizado em 22 de janeiro de 2008, às 10h27

Não dá mais pra esperar, pois já está dando quase para desesperar

Por Geraldo Eustáquio de Souza

Por toda parte, onde quer eu vá, escuto o discurso da mudança ser proferido a todo vapor verbal. Vapor que falta na hora de transformar o discurso em reais providências práticas e ações imediatas.

A verdade é que, na hora de fazer a mudança acontecer, evapora-se o gás da maioria. E tudo continua do mesmo jeito, como sempre foi, sem nenhuma variação no seu arranjo fundamental. Sobretudo o enfadonho discurso de mudança, sempre defendida com malabarismos filosóficos e requintes verbais...

O muito que se faz é "dourar a pílula" ou dar um novo sabor à pizza que, basicamente, continua a mesma de sempre. Mudança que é bom, nada.

As pessoas defendem a necessidade de mudança mas na prática não desejam que ela realmente aconteça. Intelectualmente elas sabem e reconhecem que a mudança é necessária, mas cultural e emocionalmente continuam bloqueadas, quase que completamente paralisadas em termos de iniciativas concretas para mudar.

Não deixa de ser confortável imaginar e falar a respeito do melhor dos mundos sem ter que correr os naturais riscos de torna-lo real. Entretanto, se de um lado é confortável não fazer nada, de outro é angustiante, desesperador mesmo, ver as coisas se agravarem a cada dia no mundo em que vivemos, por falta absoluta de iniciativas concretas voltadas para mudanças profundas e verdadeiras na nossa sociedade.

O medo de mudar é o medo de perder e o medo de perder nada mais é do que o medo de morrer. E ninguém acha agradável morrer. Mesmo quando morrer significa livrar-se de uma realidade desagradável e inoportuna. Como diz o ditado, "mais vale um inferno conhecido do que um céu duvidoso".

Assim as pessoas vão sobrevivendo na mesmice de sempre, sonhando e falando de um jardim de delícias que nunca virá, uma vez que sua vinda pode depender de mergulhar, ainda que temporariamente, no pior dos infernos.

A verdade nua crua dos tempos atuais é que não iremos muito longe, ou melhor, não iremos pra lugar nenhum que valha a pena ir, nem pessoal nem coletivamente. Estamos à beira de uma grande catástrofe: o colapso total das nossas instituições políticas, sociais, econômicas, religiosas. Essas estruturas só mudam, quando as pessoas mudam. E como as pessoas continuam se recusando a mudar, essas estruturas permanecem imóveis, paradas no tempo, completamente desequipadas para dar suporte ao novo tipo de sociedade que está surgindo nesta era de globalização.

Mudar é uma contundência. Mudar o meu modo de vida. Mudar minhas crenças, meu valores, minha maneira de ver a vida. Mudar meus conceitos e eliminar sumariamente todos os meus preconceitos disfarçados de "conceitos fundamentais" ou coisa que o valha. Mudar meu jeito de ser e de fazer.

Não ligue se ninguém se ligar. Não se incomode se ninguém mudar. Mude você. Deixe os caras falando sozinhos. Perca o medo, crie coragem, vá em frente. O medo é o instrumento que eles se utilizam para não deixar que você mude. Enquanto você tiver medo de alguma coisa, não conseguirá mudar, não conseguirá ir a parte alguma.

Não dá mais pra esperar, pois já está dando quase para desesperar.

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