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Coluna › Auto Gestão

Atualizado em 26 de julho de 2008, às 14h44

Empresas, cuidado: bebê a bordo!

Por Scher Soares

“Quem cuida do seu próprio ‘berço’ terá chance de vê-lo
servindo para acalentar suas futuras aspirações”

Em minhas atividades como consultor, tive a oportunidade de conhecer centenas de empresas diferentes, e cada empresa se apresentava como um ambiente novo, algo a ser descoberto e que, certamente, traria novas experiências e aprendizados interessantes. Dentro dessas corporações, pude também identificar diversos perfis de profissionais e, de todos que conheci, um dos que mais me chamou a atenção foi o que classifiquei como “baby on board.

Baby on board” é a expressão em inglês para “bebê a bordo”. Cheguei a essa definição após encontrar algumas familiaridades entre o comportamento dos bebês e o comportamento dos baby on board. Você, certamente, já viu e conhece um pouco da rotina dos bebês recém-nascidos. Se pensarmos em um cenário ideal, teremos um berço bem decorado, brinquedos por todo o lado, um quarto lindo e devidamente preparado, mimos por todos os cantos.

Nesse cenário ideal, um bebê tem de tudo. Todas as atenções são voltadas para ele e até as necessidades que ele ainda nem sabe que tem já estão sendo atendidas.

O bebê é um privilegiado: tem carinho, colo, atenção, mimos e presentes, reconhecimento, afagos e carícias. Alguém para lhe trocar, dar-lhe banho e comida.

Se sentir algum mal-estar, normalmente, provoca uma grande mobilização e lá estão todos de prontidão para atender às necessidades do pequenino. Sim, como leva uma vida de rei esse pequeno bebê!
Mas e o que isso tem a ver com a nossa empresa? Muito! Em minha experiência, identifiquei várias empresas que carregam em seu colo “bebês profissionais”.

São os “baby on board” que mencionei no início. Funcionários que, a despeito de já terem se tornado adultos, ainda se comportam como bebês. E pior: como bebês crescidos e mal-criados. Os baby on board estão em todas as empresas. Normalmente, não conseguem enxergar a realidade do mundo que existe fora do berço, acham ainda que até hoje seja comum e natural encontrar empresas que estejam dispostas a cuidar deles como na época neonatal.

Um baby on board precisa perceber que é impossível que suas ações do dia a dia sejam neutras: ou elas o deixam mais próximos ou mais distantes dos seus objetivos. Para os fumantes, cada cigarro que fuma reduz a sua expectativa de vida. Do mesmo modo, para os profissionais, cada negócio mal aproveitado ou perdido, cada cliente mal atendido e cada vez que você não der o melhor de si, você reduz a sua empregabilidade. De qualquer forma, você está em movimento e os resultados que você terá na sua vida serão conseqüências das suas atitudes.

Habitualmente, esses baby on board não reconhecem o valor da assistência que a empresa lhes oferecem e na primeira oportunidade costumam desprestigiar aqueles que lhe deram tanto colo e atenção. O que um Baby on board não percebe é que a cada contribuição negativa sua para com a empresa, esta perderá aos poucos sua capacidade de oferecer-lhe maior atenção. Um baby on board também não percebe que desfruta de uma condição especial, já que no mundo atual existem milhões e milhões de órfãos corporativos, ou seja, desempregados. E além desses órfãos corporativos, existem ainda os que têm sido deixados para trás e que não mais estão a bordo.

Recordo de uma passagem de um livro que diz: “a maioria de nós dissimula o próprio fracasso em público com muito mais sucesso de nós mesmos. Não é difícil ignorar o fato de que fazemos muito menos do que somos capazes de fazer, muito pouco do que planejamos mesmo modestamente realizar antes de atingirmos certa idade, e nunca, provavelmente, tudo a que um dia aspiramos”.

Isso é importante, porque é comum identificarmos em todas as empresas aqueles profissionais que estão lá, satisfeitos com o seu trabalho, felizes com a remuneração, mas que se comportam como baby on board quando a questão é comprometimento, motivação, produtividade e resultados. Eles exigem da empresa uma série de compromissos e benefícios, mas não se empenham para que esta mesma empresa mantenha sua saúde financeira, que é o elemento-chave de todo o processo. Este é o “pseudo- profissional”, aquele que corre o sério risco de não permanecer a bordo.

Portanto, se você conhece algum baby on board em sua empresa, oriente-o a cuidar melhor do seu próprio berço. Aquele que cuida do seu próprio berço, certamente, terá chance de vê-lo servindo para acalentar suas futuras aspirações. Já aquele que persistir em agir como um baby on board, sem dúvida, correrá o risco de ceder seu espaço no ‘berço’ a outro.

Faça uma reflexão sobre o seu ambiente de trabalho e conclua: como posso retribuir o cuidado e carinho especial que a empresa tem demonstrado por mim? Como posso levar no colo os negócios de uma organização que vem me permitindo dormir e sonhar como um verdadeiro bebê?

O que um Baby on board não percebe é que a cada contribuição negativa sua para com a empresa, esta perderá aos poucos sua capacidade de oferecer-lhe maior atenção.

Reflita. Aja. Triunfe!

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